A noite desta quinta-feira, 13, marcou um momento histórico no município de Amapá: a abertura oficial da Primeira Semana da Consciência Negra, reunindo professores da rede municipal e estadual em um encontro formativo dedicado à valorização da identidade, da ancestralidade e da construção de uma educação comprometida com a igualdade racial.
O evento reforçou o papel fundamental das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas, e que agora ganham no município um espaço coletivo de reflexão, prática e fortalecimento das políticas afirmativas.
A palestra magna foi conduzida por Negra Áurea, professora, escritora e poeta, e pela professora Renata, ambas integrantes do NEER (Núcleo de Estudos Étnico-Raciais) da Secretaria de Estado da Educação. Com ampla experiência em letramento étnico-racial, as educadoras promoveram uma formação sensível e dinâmica, utilizando arte, canto e dança como instrumentos pedagógicos capazes de transformar a aprendizagem e despertar novas percepções sobre identidade e pertencimento.
A noite também contou com apresentações culturais de grupos de marabaixo, reforçando a riqueza e a força da cultura negra amapaense. Subiram ao palco os grupos das escolas estaduais Maria Esmeralda Martins de Moura, Veiga Cabral e Vidal de Negreiros, além da emocionante apresentação do marabaixo do ensino infantil do município, que encantou o público ao mostrar que a cultura tradicional também se aprende, se vive e se celebra desde cedo.
Professores destacaram a importância desse encontro para fortalecer práticas pedagógicas que valorizem a identidade negra e indígena e contribuam para uma educação que forme cidadãos conscientes, críticos e capazes de transformar suas realidades.
Apesar da força simbólica e pedagógica do evento, chamou atenção a ausência de autoridades municipais e estaduais, que não compareceram nem enviaram representantes. Em uma ocasião diretamente ligada ao fortalecimento das políticas públicas de igualdade racial, essa ausência evidencia a necessidade urgente de maior comprometimento político com a pauta.
Ainda assim, a abertura da Semana da Consciência Negra se consolidou como um marco histórico, reafirmando o papel da educação na luta contra o racismo e na promoção da justiça social.
A programação segue até o dia 18, culminando na Primeira Caminhada Zumbi dos Palmares no município de Amapá.
Encerrando a noite, ecoou a frase de Nelson Mandela, citada pelas palestrantes, sintetizando o espírito do evento:
“Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, de sua origem ou de sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”