No município de Amapá, distante cerca de 300 quilômetros da capital Macapá, a pesca artesanal segue viva como parte fundamental da cultura, da economia e do turismo local. No rio Flexal, um dos cenários naturais mais procurados pelos pescadores da região, a grande estrela é a piramutaba, peixe de sabor marcante e muito apreciado na culinária amazônica — embora a gurijuba siga sendo a mais desejada entre os pescadores.
Segundo os moradores e trabalhadores da pesca, o melhor momento para fisgar bons exemplares é durante a maré enchente. Ainda assim, como dizem por lá, mais importante que o horário certo é a paciência: lançar a linha na água e aguardar o peixe “bater”.
As técnicas utilizadas chamam atenção. Uma delas é o espinhel, método em que vários anzóis com isca são distribuídos ao longo do igarapé. Já a pesca de anzol simples possui uma técnica muito particular, vista principalmente na região do Amapá: o anzol é amarrado de dois a três palmos após a “coifa”, um peso que leva a linha até o fundo do rio e a mantém firme. A isca preferida dos pescadores é a tradicional minhoca, considerada imbatível para atrair a piramutaba.
Na cozinha, o peixe também faz bonito. A piramutaba pode ser preparada frita, assada ou em caldeirada, sempre acompanhada de temperos regionais que realçam ainda mais seu sabor.
Em destaque na imagem que ilustra esta matéria está o pescador Siande, que no último sábado, 7 de fevereiro, fisgou um belo exemplar de aproximadamente 4 quilos, reforçando o potencial da região para a pesca artesanal e turística.
Reunir os amigos, apreciar a paisagem e se aventurar na pesca da piramutaba no rio Flexal é mais do que lazer: é uma imersão na cultura ribeirinha do município de Amapá.
Por João, O Viajante