Cleane Ramos: juventude, ancestralidade e o Marabaixo do Curiaú na Mangueira
Sua presença na avenida foi mais que um destaque individual
Cleane Ramos, 23 anos, é a expressão viva da força cultural do Amapá. Jovem marabaxeira do Quilombo do Curiaú, foi destaque na Estação Primeira de Mangueira ao falar sobre Mestre Sacaca, representando com orgulho o povo marabaxeiro na maior vitrine do carnaval brasileiro.
Cantadeira, tocadora e compositora de Marabaixo, Cleane tem uma trajetória marcada pela dedicação precoce à cultura ancestral. Desde os 6 anos toca caixa de Marabaixo, aprendendo ainda criança o compasso do tambor que ecoa resistência e fé. Aos 13 anos, compôs seu primeiro ladrão de Marabaixo, celebrando suas origens no Curiaú e reafirmando o pertencimento ao seu território.
Mais do que artista, Cleane é ativista cultural. É presidente do grupo Heranças Ancestrais do Curiaú, formado por jovens e crianças que trabalham para resguardar e fortalecer as tradições do Batuque e do Marabaixo, garantindo que a herança cultural afro-amapaense continue pulsando nas novas gerações.
Sobre a experiência na Sapucaí, Cleane descreveu a emoção do momento:
“Emoção enorme poder adentrar a Sapucaí representando a nossa maior manifestação cultural, o nosso Marabaixo e principalmente o nosso povo preto que tanto lutou pra ganhar espaço na sociedade. Lindo demais o Amapá sendo enredo da maior agremiação carnavalesca do Brasil. A Estação Primeira de Mangueira uniu nosso tambor, nossa ancestralidade com sua alegria e luz de jequitibá.”
Sua presença na avenida foi mais que um destaque individual foi um marco coletivo. Quando Cleane entrou na Sapucaí, entrou junto o Curiaú, o tambor, a ancestralidade e a luta do povo preto do Amapá por reconhecimento e espaço.
Cleane Ramos é, sem dúvida, um dos grandes nomes da nova geração da cultura amapaense talento, consciência e compromisso com a tradição que transforma memória em futuro.
Por João Ataide
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