UM MEMORIAL PARA OS MORTOS ENTRE BRASIL E FRANÇA

Um grupo que envolve poder publico municipal e sociedade civil dialoga na construção de um memorial.

UM MEMORIAL PARA OS MORTOS ENTRE BRASIL E FRANÇA
Foto domínio Publico da Internet

Na foto de um memorial na praça de Sangeorge do lado Frances escrito Piedosa homenagem da cidade aos seus filhos que morreram pela liberdade. A cidade de Amapá, já foi campo de batalha, onde muitos perderam a vida, volta e meia restos mortais das vítimas desse confronto emergem como se dissessem algo ou pedisse algo. Tomando, por exemplo, na Guiana Francesa, onde exitem vários memoriais espalhados pela região homenageando os seus mortos. Em Amapá, muitos desconhecem os que sucumbiram na guerra entre Brasileiros e Franceses que foi uma chacina.

Só para relembrar esse contexto. Em 15 de maio de 1895, teve lugar na Vila Amapá, localidade principal do território contestado entre a França e o Brasil, entre os rios Oiapoque e Araguari, um sangrento confronto armado entre brasileiros e franceses, seguido de um massacre na população brasileira civil da Vila Amapá por tropas de Infantaria da Marinha da França, enviadas de Caiena a bordo da canhoneira Bengali.

Estas tropas foram enviadas com a missão de libertar o colaboracionista brasileiro Trajano, que representava interesses franceses, e de prender o líder militar e civil brasileiro Francisco Xavier Veiga Cabral (o Cabralzinho), do Triunvirato que governava o território contestado em nome de interesses brasileiros. Este combate, de graves repercussões internacionais, passou à História como.

Contudo, as pessoas nunca tiveram uma homenagem, pensando nisso, um grupo no qual se inclui a Secretaria Municipal de Cultura, Turismo Esporte e lazer (SEMCULTE) e Instituto intitulado de Coração Historiográfico de Amapá (CHAP), conversam na construção de um memorial. Essa ideia foi sugerida na Câmara municipal de vereadores pelo ex vereador Antônio Moraes (Tonhão) que é vice-presidente do CHAP, essa ideia ganha força, por interesse da nova gestora Luelyne Romero que acredita no envolvimento coletivo pelo pertencimento das coisas de Amapá para alavancar o turismo gerando emprego e renda no município, o projeto tem o aval do prefeito Carlos Sampaio (DEM).

Como registro, não existe a referência desses nomes e poucos os munícipes sabem quem foram as vítimas.

Naquele dia fatídico o número de vítimas declaradas pelas autoridades; tudo indica que foram 38: Joaquim Pracuúba, de 10 anos, queimado vivo em sua própria casa ele era semi paralítico, não tivera tempo de fugir às chamas; Margarida de Freitas, de 32 anos, morta com o filho do colo; Clemente Freitas, de 80 anos, morto com tiro de fuzil deitado em uma rede, no interior de sua residência; José Rodrigues Rosas, de 30 anos, morto a tiros; Joaquim Rodrigues, de 37 anos, (mortos a tiros); Manuel Joaquim Ferreira, de 35 anos; Gertrudes de Macedo, de 30 anos, casada; Ana, mulher de Emídio, massacrada; Sebastiana, filha de Emídio, Ana Vieira Branco, de 37 anos, casada com Manuel Gomes Branco, morta com seus quatro filhos menores, o último com quatro meses; Solindo, filho de Emídio, massacrado; Joaquim, músico, de 17 anos, empregado de Emídio; Raimundo Marcelino de Siqueira, de 57 anos, massacrado; Maria Floripes do Amaral, de 45 anos, massacrada em sua casa; Domingos Favacho, de 37 anos, solteiro, (morto a tiros); Francisca Favacho, de 44 anos, casada, massacrada; Caetano Favacho, 37 anos, solteiro, Carolina, de 37 anos, solteira, Gemino de Morais, de 21 anos, José de Morais, 15 anos, viúvo, massacrado; Maria Cooly, de 24 anos, massacrada; Fabrício, de 18 meses, filho de Maria Cooly, morto com a mãe; Leocádia Tambor, de 48 anos, casada, massacrada em sua casa; Manuel, de 7 anos, massacrado com a mãe; Alfrida Batista da Silva, de 13 anos, morta com a mãe; Feliciano Ramos, de 65 anos, casado, morto a tiros; Pedro Chaves dos Santos, de 26 anos, casado, morto a tiros; Francisco Manuel Rodrigues, português, com 44 anos, massacrado; Rosa Xavier, de 16 anos, casada, massacrada; Antônio Bonifácio Belmiro, de 19 anos — serviu de guia aos franceses, sob prisão e logo a seguir foi colocado a frete dos combatentes, servindo de barricada; Cipriano, menor, filho de Manuel Domingos, massacrado; Mateus Leite, de 30 anos — não foi encontrado o seu cadáver; Manuel dos Santos, de 49 anos, morto em fuga; Raimundo Brasil, de 9 anos, filho de Francelino de Freitas, massacrado; João de Deus, de 42 anos, morto em casa de Bernardo Batista da Silva.

Esta é parte de uma relação macabra em que se misturam mulheres, velhos e crianças. Mas não é a quantidade que assinala o crime: é sua natureza. Esta relação, publicada pelo Diário de Notícias de 11 de junho de 1895, deve lhes ter sido transmitida por fontes do Amapá. No dia 1 o de junho estivera na redação do jornal um enviado de Cabral, Maximiano José do Nascimento, portador, com Francisco do Couto, de correspondência do presidente do Triunvirato para o governador Lauro Sodré.  

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