ONS elenca série de falhas que resultaram no apagão no Amapá: ‘contingência múltipla’

Minuta de relatório descreve que são avaliadas alternativas para ampliar confiabilidade para atender à necessidade de consumo no Amapá. Estado enfrentou crise energética por três semanas após incêndio em subestação no dia 3 de novembro. Energia foi 100% restabelecida nesta terça (24). Incêndio atingiu subestação no dia 3 de novembro, em Macapá, o que deixou maioria do estado sem energia Reprodução Em relatório preliminar, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) encontrou uma série de falhas em usinas, na rede de distribuição e na principal subestação do Amapá, a Subestação Macapá (SE Macapá), que deram início a uma crise energética que atingiu moradores de 89% do estado há três semanas. Nesta terça-feira (24), após dois blecautes totais e dias com o rodízio de energia, o fornecimento de eletricidade foi normalizado em 100% do estado, segundo a distribuidora de energia e o Governo Federal. Mesmo com o anúncio, há quem prefira enfrentar os próximos dias com cautela. ONS: sequência de falhas provocou apagão no Amapá O documento do ONS, chamado de Relatório de Análise de Perturbação (RAP), foi formulado no dia 17 de novembro e descreve que o apagão às 20h48min do dia 3 de novembro na SE Macapá foi resultado de uma “contingência múltipla”. “O evento em pauta foi resultado de contingência múltipla (indisponibilidade do TR-2 e perda dos outros dois transformadores em um mesmo evento), e que a carga local já é suprida conforme critério estabelecido no planejamento da expansão (n-1) para todas as subestações do país”, descreve o documento. Veja a cronologia da crise de energia elétrica As causas do apagão são investigadas pelo ONS, por determinação do Ministério de Minas e Energia (MME), e conta com informações prestadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Eletronorte, Linhas de Laranjal Transmissora de Energia (LMTE), Ferreira Gomes Energia S.A., e pela Companhia de Energia do Amapá (CEA). No RAP, o ONS deixa claro que são avaliadas “possíveis alternativas para a ampliação da confiabilidade do atendimento às cargas de Macapá atualmente supridas pela SE Macapá e pela UHE [Usina Hidrelétrica] Coaracy Nunes, considerando, para esse fim, a topologia da rede e a disponibilidade de geração local”. Após 22 dias de apagão no Amapá, distribuidora diz que energia foi retomada em 100% A SE Macapá funciona com três transformadores por onde o Amapá tem acesso ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O documento elenca que houve um curto-circuito, seguido de explosão e de incêndio em um primeiro transformador, o que sobrecarregou um segundo equipamento, e “ilhamento das cargas” do Sistema Amapá com a UHE Coaracy Nunes. O terceiro transformador estava em desuso por conta de uma manutenção que acontece desde dezembro de 2019. Órgãos que fiscalizam setor elétrico sabiam do risco de apagão no Amapá, aponta relatório O relatório cita ainda que o estado também era alimentado pela UHE Coaracy Nunes, que também registrou problemas, o que “culminou com o colapso total das cargas do sistema Amapá”. Ao ONS, a LMTE, responsável direta pela SE Macapá, descreveu ainda que “as condições climáticas no local no instante da perturbação [incêndio] apresentavam chuva volumosa com descargas atmosféricas intensas”. A empresa também abriu investigação sobre o sinistro, que gerou danos 'complexos'. Apagão no Amapá JN No dia 11 de novembro, a Polícia Civil descartou que o equipamento foi atingido diretamente por um raio, porque o laudo acusou que o fogo começou em uma bucha, causando os danos. A minuta do RAP foi concluída no dia 17 de novembro, no mesmo dia em que o Amapá enfrentou um segundo blecaute total, que ainda é investigado. A versão definitiva não tem data prevista para ser concluída, porque a Aneel ainda precisa apontar mais informações. O MME deu prazo inicial de 30 dias para que ocorra a investigação. "O ONS cumprindo protocolo abriu investigação para ser apresentada para a Aneel a quem caberá a análise final e encaminhar ao Ministério de Minas e Energia e também para o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico", declarou o ministro Bento Albuquerque, no dia 5 de novembro. Retorno Amapá enfrentou dois blecautes totais nos dias 3 e 17 de novembro Jornal Nacional O 22º dia do apagão começou com o anúncio da energização do segundo transformador na SE Macapá. Foram três semanas de crise energética afetando quase 765 mil pessoas. A população enfrentou um blecaute de 4 dias em 3 de novembro, e um novo apagão total no dia 17 de novembro, que foi solucionado em cerca de 4 horas. Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou que o sistema elétrico do Amapá contava, nesta terça-feira, com o suprimento dos dois transformadores na SE Macapá, da geração da UHE Coaracy Nunes e ainda da geração térmica local instalada nesta semana. O apagão causou uma série de problemas no estado: afetou o fornecimento de água e as telecomunicações, gerou uma corrida aos postos de combustíveis que tinham gera

ONS elenca série de falhas que resultaram no apagão no Amapá: ‘contingência múltipla’
Minuta de relatório descreve que são avaliadas alternativas para ampliar confiabilidade para atender à necessidade de consumo no Amapá. Estado enfrentou crise energética por três semanas após incêndio em subestação no dia 3 de novembro. Energia foi 100% restabelecida nesta terça (24). Incêndio atingiu subestação no dia 3 de novembro, em Macapá, o que deixou maioria do estado sem energia Reprodução Em relatório preliminar, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) encontrou uma série de falhas em usinas, na rede de distribuição e na principal subestação do Amapá, a Subestação Macapá (SE Macapá), que deram início a uma crise energética que atingiu moradores de 89% do estado há três semanas. Nesta terça-feira (24), após dois blecautes totais e dias com o rodízio de energia, o fornecimento de eletricidade foi normalizado em 100% do estado, segundo a distribuidora de energia e o Governo Federal. Mesmo com o anúncio, há quem prefira enfrentar os próximos dias com cautela. ONS: sequência de falhas provocou apagão no Amapá O documento do ONS, chamado de Relatório de Análise de Perturbação (RAP), foi formulado no dia 17 de novembro e descreve que o apagão às 20h48min do dia 3 de novembro na SE Macapá foi resultado de uma “contingência múltipla”. “O evento em pauta foi resultado de contingência múltipla (indisponibilidade do TR-2 e perda dos outros dois transformadores em um mesmo evento), e que a carga local já é suprida conforme critério estabelecido no planejamento da expansão (n-1) para todas as subestações do país”, descreve o documento. Veja a cronologia da crise de energia elétrica As causas do apagão são investigadas pelo ONS, por determinação do Ministério de Minas e Energia (MME), e conta com informações prestadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Eletronorte, Linhas de Laranjal Transmissora de Energia (LMTE), Ferreira Gomes Energia S.A., e pela Companhia de Energia do Amapá (CEA). No RAP, o ONS deixa claro que são avaliadas “possíveis alternativas para a ampliação da confiabilidade do atendimento às cargas de Macapá atualmente supridas pela SE Macapá e pela UHE [Usina Hidrelétrica] Coaracy Nunes, considerando, para esse fim, a topologia da rede e a disponibilidade de geração local”. Após 22 dias de apagão no Amapá, distribuidora diz que energia foi retomada em 100% A SE Macapá funciona com três transformadores por onde o Amapá tem acesso ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O documento elenca que houve um curto-circuito, seguido de explosão e de incêndio em um primeiro transformador, o que sobrecarregou um segundo equipamento, e “ilhamento das cargas” do Sistema Amapá com a UHE Coaracy Nunes. O terceiro transformador estava em desuso por conta de uma manutenção que acontece desde dezembro de 2019. Órgãos que fiscalizam setor elétrico sabiam do risco de apagão no Amapá, aponta relatório O relatório cita ainda que o estado também era alimentado pela UHE Coaracy Nunes, que também registrou problemas, o que “culminou com o colapso total das cargas do sistema Amapá”. Ao ONS, a LMTE, responsável direta pela SE Macapá, descreveu ainda que “as condições climáticas no local no instante da perturbação [incêndio] apresentavam chuva volumosa com descargas atmosféricas intensas”. A empresa também abriu investigação sobre o sinistro, que gerou danos 'complexos'. Apagão no Amapá JN No dia 11 de novembro, a Polícia Civil descartou que o equipamento foi atingido diretamente por um raio, porque o laudo acusou que o fogo começou em uma bucha, causando os danos. A minuta do RAP foi concluída no dia 17 de novembro, no mesmo dia em que o Amapá enfrentou um segundo blecaute total, que ainda é investigado. A versão definitiva não tem data prevista para ser concluída, porque a Aneel ainda precisa apontar mais informações. O MME deu prazo inicial de 30 dias para que ocorra a investigação. "O ONS cumprindo protocolo abriu investigação para ser apresentada para a Aneel a quem caberá a análise final e encaminhar ao Ministério de Minas e Energia e também para o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico", declarou o ministro Bento Albuquerque, no dia 5 de novembro. Retorno Amapá enfrentou dois blecautes totais nos dias 3 e 17 de novembro Jornal Nacional O 22º dia do apagão começou com o anúncio da energização do segundo transformador na SE Macapá. Foram três semanas de crise energética afetando quase 765 mil pessoas. A população enfrentou um blecaute de 4 dias em 3 de novembro, e um novo apagão total no dia 17 de novembro, que foi solucionado em cerca de 4 horas. Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou que o sistema elétrico do Amapá contava, nesta terça-feira, com o suprimento dos dois transformadores na SE Macapá, da geração da UHE Coaracy Nunes e ainda da geração térmica local instalada nesta semana. O apagão causou uma série de problemas no estado: afetou o fornecimento de água e as telecomunicações, gerou uma corrida aos postos de combustíveis que tinham geradores de energia, provocou prejuízos a comerciantes que não conseguiam manter alimentos refrigerados, mudou toda a rotina dos amapaenses. Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá Assista a vídeos do apagão no Amapá: