CLODOALDO DA MATTA (CODÓ) UMA VIDA DEDICADA À FAMÍLIA 

A história de Amapá e seu personagens.

CLODOALDO DA MATTA (CODÓ) UMA VIDA DEDICADA À FAMÍLIA 
fotos - Álbum de Família

Clodoaldo da Matta é o segundo filho de Eliodoro de Souza Rodrigues e Luzia Quaresma da Matta, a mãe é natural do Lago Novo e o pai de Abaité. Codó, como é mais conhecido, nasceu no dia 7 de setembro de 1935, numa morada na posse do Noel Chavier de Andrade que depois pertenceu ao senhor Baraúna, nasceu e tem o umbigo plantado debaixo da mangueira fincada por sua genitora no início da comunidade do calafate de onde é um dos primeiros moradores. Se criou no meio de uma família grande de 13 irmãos: Rosimiro Rodrigues, Clodoaldo, senhora Lucimar da Matta faleceu vítima da (covid em 2020, era moradora do calafate) , Luciana da Matta, Maria do Carmo da Matta, Margarida Rodrigues da Matta, Antônio Ângelo Rodrigues, Alfredo Rodrigues, Carmozinda Rodrigues, carmelita Rodrigues, Julia Rodrigues, Julieta Rodrigues, Abílio Rodrigues, casado com Maria Terezinha Tavares da Matta, que foi para os filhos uma grande incentivadora educacional com quem viveu por 52 anos, ela faleceu em 10 de janeiro de 2013.


Juntos constituíram uma família de noves filhos (9), no que inclui um filho militar que faleceu em um acidente na BR 156, faleceu em Porto Grande aos 21 anos há 36 anos.
Seus filhos: Amando Tavares da Matta, Ernesto Tavares da Matta (falecido), Lindalva Tavares da Matta Peixoto, Delmira Tavares da Matta, Roberto Tavares da Matta, Paulo Sérgio Tavares da Matta, José Roberto Tavares da Matta, Marilu Tavares da Matta, Marilene Tavares da Matta. Destacando que os filhos mais velhos foram pegos pelas mãos de dona Constância avó, uma das parteiras antigas do município.


Seu Clodoaldo é pioneiro do município de Amapá, que trabalhou toda uma vida para a família, hoje nos altos dos seus 85 anos, senta no pátio de sua residência no Calafate e conta sua história, dizendo que faria tudo de novo, que a maior felicidade foi ter formado todos os filhos, mesmo ele tendo só a primeira série primaria, isso só foi a escola aos 16 anos, na Cachoeira Grande (1948).
“Quando aqui não existia escola, estudei com a primeira professora Delsarina, trabalhava em roça ajudando minha mãe, atravessava o rio Amapá Grande nadando, entrei na escola para aprender a lê, estudei um ano e meio e larguei por conta do trabalho, mesmo assim fiz prova e tirei 49 pontos, estudei mais a matemática, pois conheci muito bem a sabatina, na fila de régua na mão, quem errava pegava o bolo, fiz muito exercício de matemática para não gaguejar e da de régua na mão dos colegas”, disse seu Codó. 


Desistiu de estudar quando aos 7 anos o seu pai morreu de malária no garimpo e o viu pela última vez sobre a pedra do rio Calafate, foi sofrida, depois disso passou a morar pelas casas dos outros, relata que morou na casa de um doutor Amando na promessa de estudar, onde só trabalhava e não estudava, sofreu pela mão dos outros. Na comunidade do tucumã passava fome morava numa casa coberta de palha e de buriti. Sofreu muito na criação. Remava muito para caçar e tirar madeira para ajudar seu padrasto.


Em 1944 Acompanhou a chegada das aeronaves chegando, viu a construção da Base Aeronaval de Amapá, convivendo com americanos para quem carregava bananas, obtendo como resultado de exaustivas caminhadas por caminhos do Amapá Grande dos Miras a base, ganhava 7 cruzeiros que dava para, uma barra de sabão, 1 quilo de açúcar. Viu o Zeppelin um bicho feio que voava parava no alto, jogava o cabo e era puxado, parecido um isqueiro. 
Na escola agrícola, onde tina 300 alunos, tinha parada obrigatória onde fazia refeições, comeu muito. Recorda que sua esposa nasceu em 1944, lembra que quando a conheceu ela tinha 11 anos, e tomava banho junto com suas irmãs no Rio Amapá Grande, onde morava junto com seus pais na beira do rio subindo o Calafate, com quem 7 anos depois fugiu para casar e construir família, fugiram pelos caminhos pegando queda de noite chegaram de madrugada no calafate. Ela trabalhava como enfermeira, já tinha   18 anos, fugiram num dia de festa, as meia-noite andando pelo meio do mato, o guarda da polícia focou com uma lanterna no rumo dos dois, ainda brigou que ficou com lanterna na cara e disse aqui não vai ninguém fugindo nem roubando. O pai Raimundo cordeiro Miranda, brabo depois veio morar eu gostava dela e da família, minha sogra constância Maciel Tavares. “Fui ao padre, quis fazer tudo certo, não quiseram, resolvi fugir”, acrescenta seu Codó.


 
De tudo fez na vida para garantir o sustento, uns trabalhos duros de vaqueiro a garimpeiro de tudo fez para melhorar a vida. Quando grande, trabalhou em fazendas de Antônio Alves, Sérgio colares, Ernesto Pereira Colares, de Antônio e Sérgio não tem boas recordações, mas a que lhe valeu e fala com lágrimas nos olhos é de “Ernesto Colares (avó de Dejacy) foi um pai, tanto que para alguns dizia que eu era filho, tratava muito bem me chamava de Clodoalves, tomava conta do gado e todo ano me dava uma bezerra, saí só quando fui me casar, me chamava de filho, vim trabalhar com ele quando criança”. Lembrou Clodoaldo, fala sobre a bondade da esposa do patrão, Dona Etelvina, e de uma das filhas, chamada Terezinha Collares, cultiva um enorme carinho e respeito que sempre teve por todos eles.

Nessa época era empregado, ganhava 80 Cruzeiro e mandava para sua mãe, o velho era bacana de mesmo modo, dona Itelvina Pereira Guimarães, trabalhava o mês todo. Meu esporte era bola e montaria, gostava de montar garrote, aos finais de semana saia pelas fazendas Santa Terezinha, São João, São Francisco ainda batia uma pelada (jogava bola). Quando saiu da fazendo, da vida de vaqueiro, juntou um gado e tentou o garimpo, pois era ele que levava o gado do senhor Ardebal Tavora para o garimpo do Lourenço, quando vinha trazia o recebimento em ouro a quem entregava contado e conferido, assim se aventurou como garimpeiro, sempre vendo as oportunidades, diz que ganhou muito dinheiro, pois Deus lhe deu uma terra abençoada para trabalhar, 70 metros 10x5 de onde tirava 280 gramas por barranco do traíra no Lourenço, de 15 e 15 dias garimpava 330 gramas de ouro, barraco sempre farto, foi bom patrão e muitos se aproveitaram. Ganhou muito dinheiro no garimpo, no entanto, um carro velho acabou com o seu capital, fez uma renda no banco econômico (7500 cruzeiros) dava muito problema o carro, carregado de mercadoria e rezes, no meio da montanha virou e pegou fogo, quem a vendeu foi finado Miguelzinho.
Vaqueiro, comerciante, garimpeiro, foi o maior produtor de bananas de Amapá, finalizou sua vida de trabalho como agricultor, contudo levou os filhos para estudar em Macapá, juntaram o restante do que tinham ele e a esposa decidiram que a educação para os filhos seria sua maior riqueza e assim fizeram, todos os filhos são formados e reconhecem no pai um grande feito. Ele tirou madeira para as construções das pontes que circundam o Amapá, empreiteiro de Coronel e prefeito do Amapá, José Júlio de Coelho Miranda o qual se tornou compadre como padrinho do filho policial PM falecido no acidente.


Seu Clodoaldo da Matta era para ter sido funcionário Federal, por duas vezes passou por uma lista a ser encaminhada para registro, na primeira lembra com rancor e a segunda decidiu que como empreendedor conseguiria criar sua família como relata a Marilu da Matta, penúltima filha: Os meus irmãos têm gosto por esportes aquáticos, meu pai mergulhava, um dia caiu uma máquina do governo no fundo do rio Tartarugal Grande, muitos tentaram encontrar e não conseguiram, alguém falou que meu pai mergulhava e conseguia chegar ao fundo sem equipamentos, assim fez, e conseguiu chegar até o fundo para descobrir onde estava a máquina, uma Patrol nova, em relatos os trabalhadores disseram ter enfiado uma vara de 6 metros e não conseguiram ver o fundo, meu pai nunca bebeu nem fumou, mergulhou no fôlego, foi duas vezes ao fundo pegou arreia e mostrou para provar, foram 3 mergulhos no último levando cabo para puxar, tiraram e nem agradeceram, como recompensa Codó pediu um emprego para trabalhar, em resposta o encarregado disse que ele seria enquadrado no Governo Federal, contudo, disseram que ele não precisava por ter gado, dessa forma quando chegou a lista o nome dele não estava relacionado. Ficou triste, mas não se abateu. 
O tempo passou não lhes deram vaga no governo, o Amaury Farias, era ele o encarregado da promessa, foi pedir voto na porta da casa de seu Codó para deputado, sabe aquela história do retorno? olhou e disse, “é voto que o senhor quer? O senhor lembra que arrebentei meu ouvido para buscar o trator do governo no fundo do rio e que me prometeu um emprego? Amaury Farias Foi e nunca mais voltou.
A outra oportunidade surgiu para ele e a esposa, ela como enfermeira para ingressar no Governo Federal, seu amigo Siaudio Assução Lemos, foi um grande comunicador e articulador político, o chamou e disse “estou fazendo uma lista para mandar para entrar no governo, me passe os seus documentos e de sua esposa”, em resposta ele disse, não Siaudio, deixe isso pra lá. Quando chegou em casa ele falou a sua esposa sobre a sua decisão ele em resposta “foi isso que o senhor fez? Então está bem-feito. Seu Clodoaldo de 1, 60 de altura, viúvo vive na comunidade do Calafate e diz que sua maior riqueza foi ter lutado pela educação dos filhos. 
Texto João Ataíde o viajante,