As Borboletas de Pico: Memórias e Fenômenos Marcantes em Amapá

As Borboletas de Pico: Memórias e Fenômenos Marcantes em Amapá
Foto João Ataíde

A pequena cidade de Amapá, conhecida por suas raízes históricas, é também palco de fenômenos naturais que marcaram sua comunidade de maneira peculiar. Entre esses acontecimentos, as famosas borboletas de pico ganharam fama nos arredores, sendo tema de conversas constantes na cidade.

No entanto, um episódio intrigante que envolveu essas borboletas permaneceu, em grande parte, desconhecido pela população. O fenômeno ocorreu em uma época em que um estudo foi conduzido, mas suas conclusões não foram devidamente comunicadas à comunidade. Surgiram rumores diversos, incluindo acusações políticas que, na época, chegaram a difamar desafetos, atribuindo o aumento da população de borboletas à suposta matança de marrecas na cidade.

Neste artigo, evitaremos entrar nas controvérsias sobre a explicação do fenômeno e focaremos em narrar o acontecido, proporcionando um vislumbre do Amapá de tempos menos conhecidos.

A cidade, além de sua importância histórica, era outrora um povoado isolado da atenção pública. Mesmo com estruturas administrativas, os trabalhadores especializados vinham de Macapá, enfrentando viagens difíceis em estradas precárias. Poucos habitavam a cidade, tornando testemunhas privilegiadas do episódio das borboletas.

Essas borboletas, conhecidas por aparecerem sem um padrão definido, geralmente faziam seu espetáculo em setembro, com maior ocorrência nas décadas de 80 e 90. Relatos da época descrevem um excesso, levando muitas pessoas a procurarem o Hospital com queimaduras causadas por alergias provocadas pelo pico desses insetos.

Fogueiras eram acesas sob os fios onde as borboletas se concentravam, numa tentativa de controlar a infestação. Politicamente, o fenômeno foi explorado, com alguns alegando que a situação estava relacionada à matança de marrecas.

Apesar de alguns anos terem se passado desde que as borboletas de pico foram avistadas, o episódio permanece vivo na memória coletiva de Amapá. A teoria do bater de asas de uma borboleta, que destaca a influência de pequenas ações em sistemas complexos, pode ser aplicada a esse fenômeno, revelando como eventos singelos podem desencadear mudanças inesperadas e significativas em uma comunidade. Uma lembrança marcante no tecido histórico de Amapá que continua a intrigar.

Por joão Ataide o Viajante.