Preservando Raízes: O Criaú que se tornou Curiaú
Na comunidade muitos pronunciam criaú, pois saem de forma natural fazendo parte do linguajar do lugar.

Em uma viagem à década de 1980, revisitamos um Criaú, lar de figuras como: Anduda, Raimundo Sérgio Ramos, Raimundo Mem, Joaquim Tibúrcio Ramos, Cirilo Ramos, Dona Venina Meneses, João Bacaba, Vó Tiofa, Dona Josefa, João Cisino e outros, que deixaram uma marca na história local. Anduda, o pioneiro contador de histórias do Criaú, transmitiu causos e fatos pela oralidade, moldando a identidade cultural da região.
Contudo, uma sombra paira sobre essa recordação. O nome Criaú, que ecoava na comunidade, transformou-se ao longo do tempo. Alguns afirmam que essa evolução linguística foi natural, enquanto outros apontam para uma possível interferência externa.
Há relatos de que a mudança ocorreu nos primeiros ensinamentos escolares, quando professores de fora introduziram a grafia Curiaú. Essa alteração, seja por influência educacional ou mudanças linguísticas orgânicas, resultou na perda de parte da rica herança cultural.
Neste contexto, surge a necessidade de preservar e registrar as nuances peculiares de cada lugar. A pronúncia "Criaú" persiste entre muitos membros da comunidade, mantendo viva a memória da antiga denominação.
Interessantemente, um grupo de batuque local optou por manter o nome original, conectando-se aos seus ancestrais pela preservação do termo "Criaú". Este grupo não apenas celebra suas raízes, mas destaca a importância de manter viva a identidade cultural única da comunidade.
O Criaú que se tornou Curiaú transcende a nomenclatura; é um reflexo das mudanças ao longo do tempo e da urgência em preservar a cultura. A história oral desses lugares não deve ser esquecida, e a comunidade se torna guardiã de suas próprias tradições, defendendo a memória daqueles que moldaram sua identidade ao longo dos anos.
Por João Ataide o viajante.
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