Marabaixo do Amapá ganha destaque em recepção da Embaixada do Brasil no Suriname

Evento comemorativo dos 204 anos da Independência do Brasil reuniu autoridades, empresários, diplomatas e representantes da comunidade brasileira em Paramaribo

Sep 10, 2026 - 18:42
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 Marabaixo do Amapá ganha destaque em recepção da Embaixada do Brasil no Suriname
Joao Ataide
A celebração dos 204 anos da Independência do Brasil ganhou um significado especial em Paramaribo, capital do Suriname. Na segunda-feira, 7 de setembro de 2026, a Embaixada do Brasil realizou uma recepção comemorativa que reuniu autoridades dos dois países, representantes do corpo diplomático, empresários, integrantes da comunidade brasileira e representantes dos setores acadêmico e cultural.

Realizado no restaurante Mingles, no International Mall of Suriname, o evento teve como um dos principais destaques a apresentação de um grupo de Marabaixo do Amapá, formado por 15 integrantes e levado ao Suriname com o patrocínio do Governo do Estado do Amapá.
A apresentação da manifestação cultural amapaense despertou entusiasmo entre os convidados e levou para o espaço diplomático um dos símbolos mais importantes da cultura afro-amapaense. Com seus tambores, dança e tradição ancestral, o Marabaixo contribuiu para mostrar a diversidade cultural brasileira e aproximar ainda mais as culturas dos dois países.

O diretor da Agência de Desenvolvimento do Amapá, Wandenberg Pitalunga, também participou da programação, acompanhado de empresários amapaenses, reforçando o interesse do Estado em ampliar relações econômicas e institucionais com o Suriname.
Relações entre Brasil e Suriname em novo momento

Representando a presidente do Suriname, Jennifer Simons, esteve presente o ministro das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Cooperação, Melvin Bouva. Também participaram o ministro da Saúde, Bem-Estar e Trabalho, André Misiekaba; o ministro de Assuntos Econômicos, Inovação e Empreendedorismo, Andrew Baasaron; e o comandante das Forças Armadas do Suriname, general Mitchell Labadie.
Durante seu discurso, o embaixador brasileiro em Paramaribo, Felipe Costi Santarosa, destacou o momento positivo vivido pelas relações entre Brasil e Suriname, especialmente após a visita oficial da presidente Jennifer Simons ao Brasil, em maio de 2026.
Segundo o embaixador, diversos acordos e iniciativas definidos durante a visita já estão sendo acompanhados e implementados por grupos de trabalho dos dois países.
Santarosa ressaltou ainda a convergência entre Brasil e Suriname em princípios como não intervenção, autodeterminação, cooperação internacional e solução pacífica de controvérsias.
Para o diplomata, a cooperação entre os dois países é fundamental para promover desenvolvimento sustentável, justiça social e integração regional.
Petróleo, turismo e novas conexões
A aproximação também vem sendo impulsionada pelo crescimento do turismo e pelo interesse econômico relacionado aos setores de petróleo e gás.
O aumento da circulação de brasileiros no Suriname e de surinameses no Brasil tem sido acompanhado pela ampliação das conexões aéreas. A GOL passou a operar um terceiro voo semanal entre Paramaribo e Belém, enquanto a COPA ampliou para cinco voos semanais sua operação a partir do Panamá, facilitando conexões com diferentes capitais brasileiras.
O setor de petróleo e gás também ganhou espaço nas relações econômicas. A participação expressiva de empresas brasileiras na Suriname Energy, Oil and Gas Summit (SEOGS), realizada em junho de 2026, foi destacada pelo embaixador.
Comunidade brasileira
Outro ponto abordado foi a presença da comunidade brasileira no Suriname, estimada em aproximadamente 25 mil pessoas.
De acordo com Santarosa, os brasileiros vêm contribuindo de maneira dinâmica para a economia e para a sociedade surinamesas, integrando-se ao país e ampliando sua diversidade cultural.
O embaixador também destacou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Guimarães Rosa e a importância da assistência consular oferecida pela Embaixada.
Cooperação humanitária
Em sua fala, o chanceler Melvin Bouva agradeceu ao Brasil pela cooperação prestada ao Suriname em diferentes áreas, como agricultura, saúde, educação e cibersegurança.
Bouva destacou especialmente a atuação da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), além do fornecimento de medicamentos e da assistência humanitária brasileira em situações de emergência.
O ministro da Saúde, André Misiekaba, também reforçou a importância dessa parceria. Em conversa com o embaixador brasileiro após os discursos, lembrou as doações de medicamentos antimaláricos, consideradas importantes para a estratégia de erradicação da malária no Suriname, além das doações de inseticidas utilizadas durante o surto de chikungunya registrado no início de 2026.
Amapá como ponte cultural

A presença do Marabaixo na recepção da Embaixada mostrou que a aproximação entre Brasil e Suriname não se limita à diplomacia, à economia e à cooperação institucional. A cultura também aparece como uma poderosa ferramenta de integração entre os povos amazônicos.
Para o Amapá, que possui posição estratégica na fronteira com o Suriname e mantém fortes vínculos históricos e culturais com a região, a participação no evento representa uma oportunidade de ampliar sua presença internacional.
Ao levar o Marabaixo para a capital surinamesa, o Estado apresentou ao público estrangeiro uma manifestação cultural que carrega memória, resistência, ancestralidade e identidade do povo amapaense.
A recepção terminou com um brinde proposto pelo chanceler Melvin Bouva à amizade entre Brasil e Suriname e a uma América do Sul pacífica e próspera, reforçando a mensagem de que a cooperação entre os países vizinhos deve transformar acordos diplomáticos em ações concretas e benefícios para suas populações.

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João Ataide João Ataide, reporte e administrador do Portal O Viajante.