Ananda Oliveira: a força feminina que dança, canta e constrói a história do carnaval amapaense

Para o Carnaval de 2026, Ananda Oliveira assume mais um capítulo marcante de sua trajetória, reafirmando seu protagonismo artístico e técnico no samba amapaense.

Jan 13, 2026 - 12:36
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Ananda Oliveira: a força feminina que dança, canta e constrói a história do carnaval amapaense
Arquivo Pessoal
Falar do carnaval amapaense é falar de pessoas que transformaram a avenida em espaço de identidade, resistência e arte. Entre essas personalidades está Ananda Oliveira, mulher nascida e criada no bairro Jacareacanga, em meio à efervescência cultural que pulsa da união dos bairros Laguinho e adjacências — berço de grandes nomes do samba do Amapá.

Minha história se cruza com a de Ananda desde cedo. Conheci ainda no movimento escoteiro e também cantando na Igreja Jesus de Nazaré. O tempo tratou de entrelaçar nossos caminhos por diversas ocasiões, até que o carnaval nos uniu de forma definitiva. Em um determinado ano, o Grêmio Recreativo Império de Samba Solidariedade (SOLI) precisava de uma mulher para compor o naipe de intérpretes. Lembrei imediatamente dela. O convite foi feito — e aceito. Ali nascia uma trajetória que hoje a consagra como um dos grandes nomes do carnaval amapaense.

Do canto à coreografia: uma trajetória construída com talento e disciplina
Ananda iniciou oficialmente sua caminhada no carnaval no ano 2000, como intérprete do SOLI, função que exerceu nos carnavais de 2000, 2001 e 2002. No mesmo período, também integrou os Piratas Estilizados (2002), ampliando sua experiência na folia.
Mas seu talento não se limitava à voz. Em 2002, passou a atuar como assistente de coreografia no SOLI, revelando uma vocação múltipla que a levaria a novos desafios.
Entre 2003, 2004 e 2006, Ananda integrou a Comissão de Frente do SOLI, um dos setores mais exigentes e simbólicos de uma escola de samba. Já a partir de 2007, sua história se fortalece ainda mais ao integrar, em vários anos, a Comissão de Frente do Império do Povo, participando dos carnavais de 2007, 2008, 2009, 2010, 2012, 2020, 2023 e 2024.

Excelência no pavilhão: o trabalho com casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Outro capítulo fundamental da sua trajetória é o trabalho com coreografia de casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, função que exige técnica, sensibilidade, respeito à tradição e criatividade. Entre 2007 e 2020, Ananda coreografou casais em diferentes agremiações, como:
SOLI – Casal Mirim
Império do Povo – Casal Mirim e 2º Casal
Maracatu da Favela – 4º Casal
Unidos do Buritizal – Casal Oficial
Seu trabalho contribuiu diretamente para o brilho dos pavilhões e para a formação de novos talentos do samba local.
Presente e futuro do carnaval
Em 2025, Ananda Oliveira segue escrevendo sua história no carnaval amapaense, assumindo dois importantes desafios:
Comissão de Frente da Embaixada de Samba
Casal Oficial do Maracatu da Favela
Uma personalidade do carnaval amapaense

Carnaval 2026: novos desafios e protagonismo na avenida
Para o Carnaval de 2026, Ananda Oliveira assume mais um capítulo marcante de sua trajetória, reafirmando seu protagonismo artístico e técnico no samba amapaense. Ela será a responsável pela Comissão de Frente da Escola de Samba Boêmios do Laguinho, uma das mais tradicionais agremiações do estado.
A comissão defenderá o enredo: “Gênesis 17 a 19 – Sodoma e Gomorra: do pecado à redenção”
Um tema de forte carga simbólica, bíblica e estética, que exigirá sensibilidade artística, leitura cênica e potência narrativa — marcas já consolidadas no trabalho de Ananda.
Além disso, em 2026, Ananda também estará à frente da preparação do Casal Oficial de Mestre-Sala e Porta-Bandeira do Maracatu da Favela, formado por Adriano Almeida e Lika da Favela, reforçando seu compromisso com a excelência, o respeito ao pavilhão e a valorização da tradição do samba.
Com esse novo ciclo, Ananda Oliveira segue consolidando seu nome como uma das grandes personalidades do carnaval amapaense, transitando com autoridade entre canto, dança, coreografia e direção artística, sempre conectada à história, à espiritualidade e à identidade cultural do povo do Amapá.
Ananda Oliveira é mais que cantora, coreógrafa ou integrante de comissão de frente. Ela representa a força feminina no samba, a artista que se reinventa, que forma pessoas, que honra a tradição e, ao mesmo tempo, aponta para o futuro do carnaval do Amapá.
Sua trajetória se confunde com a própria história recente das escolas de samba do estado. Uma personalidade que merece ser celebrada, registrada e reconhecida.
João Ataíde – O Viajante

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João Ataide João Ataide, reporte e administrador do Portal O Viajante.