O município de Amapá viveu nesta sexta-feira, 15 de maio, uma vasta programação em homenagem ao ato heroico de Francisco Xavier da Veiga Cabral, o eterno Cabralzinho, símbolo da defesa da soberania brasileira durante a invasão francesa ocorrida em 1895, em plena área contestada franco-brasileira.
A disputa territorial entre Brasil e França teve início ainda no século XVIII, passando pelo acordo provisional firmado entre Portugal e França em 1700 e consolidando-se no Tratado de Utrecht, em 1713, que reconhecia o rio Oiapoque como limite entre o Brasil e a Guiana Francesa. O conflito teve seu desfecho apenas em 1900, com o Laudo Suíço, quando o diplomata Barão do Rio Branco defendeu a legitimidade brasileira sobre a região. Uma das frases marcantes atribuídas à defesa brasileira resume o sentimento de pertencimento daquele território: “Como essas terras são francesas se quem está enterrado nelas são brasileiros?”.
No contexto da transição da monarquia para a república, o Brasil enfrentava revoltas em diversas regiões e o Exército Brasileiro concentrava esforços principalmente no sul do país. Foi nesse cenário de instabilidade que surgiu a figura de Cabralzinho, um aventureiro que chegou ao Amapá como tantos outros, mas que se transformou em líder popular ao tomar a iniciativa de defender a soberania nacional e a integridade do povo brasileiro.
O episódio mais marcante ocorreu após tensões envolvendo a chamada República do Cunani, quando Trajano teria rasgado a bandeira brasileira, fato que intensificou os conflitos e culminou no enfrentamento contra os franceses. A resistência liderada por Cabralzinho tornou-se um dos capítulos mais importantes da história amapaense e motivo de orgulho para os moradores da região.
Em 131 anos desse episódio histórico, o sentimento de pertencimento continua vivo e fortalecido pela presença de autoridades estaduais e municipais. A programação contou com transferência simbólica da capital para o município de Amapá, realizada pelo governador, além de entregas institucionais, despachos administrativos e diversas atividades culturais e esportivas.
As festividades iniciaram com a tradicional alvorada, seguida de desfile cívico com participação da banda do Exército Brasileiro, corrida, partidas de futebol e shows culturais, reunindo a população em um grande momento de valorização da memória histórica do estado.
Um ponto observado durante as homenagens foi a ausência de uma missa em ação de graças, considerando que muitas pessoas perderam suas vidas na luta pela garantia da cidadania brasileira na região. A própria história registra a presença do cônego Domingos Maltês como liderança religiosa importante naquele contexto histórico, reforçando também o papel da fé e da espiritualidade durante o conflito.