Tensão na Região do Contestado: Conflito entre Brasileiros e Franceses*

Em setembro de 1894, o capitão Daniel instituiu um pedágio de 150 francos para todas as embarcações que subissem o rio Calçoene.

Tensão na Região do Contestado: Conflito entre Brasileiros e Franceses*

A disputa pela riqueza mineral na região do Contestado, no final do século XIX, desencadeou uma série de tensões entre brasileiros e franceses. A primeira reação oficial brasileira a essa corrida ao ouro ocorreu através do aviso de interdição do acesso na entrada dos principais rios da região, como Amapá Grande, Cunani e Calçoene.

Em setembro de 1894, o capitão Daniel instituiu um pedágio de 150 francos para todas as embarcações que subissem o rio Calçoene, o que gerou conflitos com os franceses. Acusado de ser um bandido insolente pelo engenheiro Fernand Sursin, o capitão Daniel retrucou afirmando ser o legítimo proprietário das terras.

O embate entre brasileiros e franceses se intensificou com relatos de empreendedores de Caiena que foram impedidos de entrar na vila de Amapá e de um negociante que afirmou ter sido expulso do vilarejo de Cunani pela população brasileira.

Na perspectiva francesa, a questão da interdição do acesso aos garimpeiros assumiu contornos de confronto entre estados e populações nacionais. O governador Charvein defendeu que a população brasileira deveria ser tratada como crianças rebeldes, incapazes de se autoeducarem, e que cabia à França levar as noções mínimas de civilidade a esses "filhos rebeldes".

A resistência civil, liderada por Francisco da Veiga Cabral, conhecido como Cabralzinho, foi vista pelos franceses como um desafio à exploração comercial na região. Esse conflito culminou na arquitetura de um plano secreto de intervenção militar no Contestado, conhecido como Missão Casey.

Esses eventos marcaram o início de um período de tensão e conflitos na região do Contestado, que deixou um legado de disputas territoriais entre brasileiros e franceses.

fonte:https://journals.openedition.org/caravelle/7302

Por João Ataide o Viajante.